quarta-feira, 5 de março de 2014

A Voz do Brasil

É fato que quase todos os grandes nomes da MPB, são também grandes compositores, vide: Chico Buarque, Caetano Veloso, Vanessa da Mata, Djavan, Milton Nascimento, Rita Lee, enfim. E nos tempos de hoje, é quase um pré-requisito compor, ter suas próprias criações. Afinal, de vozes bonitas o Brasil tá recheado. Então, qual o diferencial para se destacar no mercado musical brasileiro? Compor e compor bem. Quase com perfeição.
Se hoje, onde qualquer um faz sucesso com vídeos na internet, é necessário compor com maestria para se destacar, além de cantar bem; imaginem só há 40, 50 anos... É, fazer sucesso sem compor era ainda mais improvável.

Mas existiu uma pessoa excepcional que, não sou conseguiu, como foi e é o maior nome da MPB. Gaúcha de Porto Alegre, nascida em 17 de Março de 1945 e, infelizmente, falecida em 19 de Janeiro de 1982. Isso mesmo, ela só viveu 36 anos para ser a Rainha da Música Popular Brasileira. De quem estou falando?

ELIS REGINA, A PIMENTINHA. (Apelido dado por, nada mais, nada menos que Vinícius de Moraes)

Elis surgiu na Rádio Gaúcha em 1960, mas não ficou em Porto Alegre por muito tempo; uma vez que, toda a cúpula musical se encontrava no eixo Rio-São Paulo, e onde cantou e encantou nos festivais de música da década de 60.
A partir de 1964, quando já tinha uma agenda lotada de espetáculos (era como chamavam o shows naquela época), foi contratada pela TV Rio para estrelar o programa Noites de Gala, onde fez muito sucesso. Participou e trabalhou em diversos outros programas de TV. Mas foi em 1965 que veio a consagração de Elis Regina em rede nacional, quando ganhou um festival de música na TV Excelsior; onde lhe foi atribuído o título de Primeira Estrela da Canção Popular Brasileira, na ocasião interpretou a canção “Arrastão”, de Vinícius de Moraes e Edu Lobo. E a partir daí, só parando a carreira com sua morte precoce.

Elis Regina é a voz do Brasil porque nunca compôs uma música sequer, nem um verso. Foi “apenas” intérprete (note que o apenas está entre aspas). Mas o seu talento inquestionável e sua interpretação divina de qualquer letra a fez não precisar compor.
Os grandes compositores tinham prazer em ver Elis interpretando e eternizando suas canções, além de ganharem notabilidade junto com a cantora. Nomes como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Ronaldo Bôscoli (seu primeiro marido), Belchior, Chico Buarque e muitos outros, tiveram suas obras gravadas por Elis Regina.

 A gaúcha era a mais concorrida pelos grandes nomes da composição. Ter uma música gravada por ela era a certeza de sucesso absoluto e eterno, claro.
Mas Elis não gravou só as música dos já consagrados compositores da época. A mesma consagrou boa parte dos compositores até então desconhecidos como: Milton Nascimento, Tim Maia, Gilberto Gil, João Bosco, Ivan Lins e muitos outros. Todos esses, hoje, fazem parte do hall de grandes nomes da MPB. Todos lançados por Elis Regina.

Então, “acho” que podemos dizer que, se existe a voz neste país, ela pode ser chamada de Elis Regina Carvalho Costa, Rainha da MPB. Cantora que consagrou sucessos como: “Como os nossos pais”, “Águas de Março”, “O Bêbado e a Equilibrista”, “Madalena”, “Fascinação”, “Vou deitar e rolar” e muitos, mas muitos outros.
Elis não escrevia, mas opinava. Não brigava, mas questionava. Não sorria, encantava. Não cantava, eternizava.

 Portanto, ela é sim, A VOZ DO BRASIL.

0 comentários:

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More